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BRASIL PERIGOSO

*Walter Roque Gonçalves

Em entrevista à Folha, o presidente da Andrade Gutierrez, Ricardo Sena, diz que passou desapercebido a mudança no Brasil, segundo ele: “Até 2000, por aí, o Brasil ainda era um país em que as coisas eram capazes de acontecer —para o bem e para o mal, com corrupção ou sem. Se você procurasse lá o Presidente da Eletrobrás e falasse: Olha não tem gás(…) Ele mandava estudar e pagava. Isso acabou. Nós é que não percebemos que o Brasil mudou e continuamos assinando contrato assim para depois resolver.” (…)“Você ficou pelado no meio da rua. Fomos pegos assim.” (…) “Trabalhar com o governo é muito perigoso”.

José de Souza Castro, em artigo publicado no site kikastro.com.br, explora os riscos que empreiteira enfrentou em trabalhar para o governo e ressalta a história próspera desta com os governos que pelo Brasil passaram.

A Andrade Gutierrez foi fundada em 1948. Em 1952, foi contratada para construir o campo de aviação de Bambuí. Logo a Petrobrás os contrataram para construir a barragem de Ibirité. Trabalhou na Linha Norte-Sul do Metrô da capital paulista e assim espalhou-se por diversos Estados no Brasil.

Castro lembra que a filha mais velha, Ângela Gutierrez, foi citada pela Forbes como uma das “21 mulheres bilionárias do Brasil. Sua fortuna era calculada em R$ 2,8 bilhões. ”

Ao olhar mais de perto a história da Andrade Gutierrez, parece que realmente foi muito bom trabalhar para o governo, em todos eles. As obras eram cada vez maiores, mobilizavam recursos e mão de obra.

Hoje falta dinheiro para este tipo de obra: o governo superestimou as receitas e o resultado é um rombo de R$ 58,2 bilhões. Por isso, foi anunciado recentemente, pelo ministro da fazenda Henrique Meirelles, um corte de R$ 42 bilhões nos investimentos do governo. Destes mais de R$ 10 bilhões são de obras de infraestrutura destinados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Consequentemente haverá reflexos na geração de empregos e renda, retardando a esperada retomada da economia.

As obras que o país ofereceu para as empreiteiras e as que estão por vir viabilizariam o crescimento de qualquer uma delas. Há margens de lucros nestes projetos e sem necessidade de manobras duvidosas. É destas manobras que Ricardo Sena se refere quando diz que o Brasil está perigoso, pois, foram pegos!

Com a nítida capacidade empresarial que gestores como Ricardo Sena carregam, a empreitada não precisaria de manobras como a que o empresário cita. Talvez, demorasse um pouco mais para conquistar a fortuna que tem hoje, mas, com certeza, seria um caminho mais sustentável. O Brasil perigoso, pelo menos no sentido que Sena cita, não precisaria ser tão perigoso assim.

* É consultor de empresas, CRA: 6-003457, professor executivo/colunista da FGV/ABS (FGV/América Business School) de Presidente Prudente. Contato/Whats: 18-99723.3109

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