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A FAPI 2017 deu, pelo menos, R$ 80 mil de prejuízo”, diz ex-assessor de imprensa do evento

Em entrevista exclusiva para o Jornal Negocião, Neno Batista fala sobre a realidade daquela que já foi a maior feira da América Latina e que hoje acumula dívidas, incertezas e polêmicas

Creditos: Alexandre Mansinho

Alexandre Mansinho

A FAPI de Ourinhos é realizada desde o ano de 1967 entre os meses de maio ou junho e, na tradição conquistada nesses mais de 50 anos de história, atrai visitantes, comerciantes, artistas e empresários de todo o país. No entanto, nos últimos anos, o volume de negócios diminuiu – reflexo da grave e longa crise financeira que o país atravessa – fato que colocou em xeque o formato da FAPI: artistas de renome (no auge do sucesso) e portões abertos.

Na última segunda-feira, dia 20 de novembro, o jornalista e empresário Neno Batista, que esteve na linha de frente da organização da Feira Agropecuária e Industrial de Ourinhos nos últimos anos, deu uma entrevista contundente e reveladora ao Jornal Negocião. Durante quase duas horas, Neno partilhou sua experiência como assessor de imprensa do evento mais importante do calendário cultural e econômico da região e revelou quais são suas impressões sobre o futuro da feira.

Fernando Quagliato – A entrevista começou e, como não poderia deixar de ser quando o assunto é FAPI, já surgiu o nome de Fernando Quagliato – que foi por anos o grande organizador e idealizador da feira. Para Neno Batista, a forma que gestão que o Sr. Fernando utilizava jamais será possível de se imitar: “ele tinha muitos conhecidos, relações em todo o país, uma intimidade com banqueiros e empresários, sobretudo do ramo agropecuário, que ninguém mais tem (…) ele pegava o telefone e, com algumas ligações, já conseguia patrocínios (…) aquela época de ouro entrou para a História, vamos ter orgulho dela, mas precisamos entender que isso nunca mais irá acontecer”.

Prejuízo – Neno explicou que a organizadora dos últimos anos, a AIOR (Associação das Indústrias de Ourinhos e Região), entidade que presidiu a FAPI, não conseguiu fechar o caixa, mesmo contando com o auxílio da Prefeitura de Ourinhos e das emendas parlamentares que vieram especificamente para o evento: “nenhum dos shows se pagou, os shows do Wesley Safadão e da Marília Mendonça foram os que menos deram prejuízo (…) o Edenilson Natale (presidente da AIOR) pagou várias despesas do próprio bolso (…) os serviços de assessoria e divulgação que minha empresa prestou, foram pagos pelo próprio Edenilson (…) eu estimo que a FAPI deixou um rombo de 80 mil reais, que o presidente da AIOR assumiu pessoalmente”.

Lendas – “Não existem as tais cláusulas do contrato de doação que exigem que a FAPI seja de portões abertos e não haja cobrança de entrada e que as associações beneficentes tenham isenção de taxas (…) eu li o termo de doação e verifiquei que isso não passa de uma lenda que foi ganhando corpo com o passar dos anos (…) a população tem que aceitar um fato: com a atual situação econômica é impossível manter uma feira com esse tamanho sem cobrar entrada, dinheiro não brota do chão”, afirma Neno Batista sobre a polêmica da cobrança de entrada para os shows. “Mesmo com a cobrança, o prejuízo foi grande – dos cerca de R$ 1,5 milhão gastos especificamente para os shows, pouco mais e R$ 1 milhão é que foi conseguido com a bilheteria”.Críticas – “Compreendo que uma tradição de 50 anos de total gratuidade não vai ser mudada de uma hora pra outra (…) meu trabalho, como assessor de imprensa do evento, foi, entre outras coisas, não deixar que os presidentes da festa, Edenilson e Celso Zanuto, fossem “massacrados” pelos críticos (…) mas, embora impopular, não havia como ter feito a FAPI sem a cobrança (…) Jota Quest foi um fracasso de público, se o Gustavo Mioto e o Hugo e Thiago não tivesse sido “portões abertos”, teríamos tido uma vergonha ainda maior”. “As pessoas não entendem que as fontes de renda para a realização de um evento desse tamanho não são muitas (…) cobra-se estacionamento, camarote, espaço dos expositores, espaços na praça de alimentação, entrada para os shows e alguns poucos patrocinadores; além disso há as emendas parlamentares (…) no entanto, o que se tem para pagar é um absurdo: artistas, estrutura para os shows, hotel, transporte, ECAD (direitos autorais das músicas), rodeio, seguranças, comida, energia elétrica e mais um grande número de outras despesas.”

Menos dias e cobrança de entrada – “11 dias de festa não está mais de acordo com a realidade do país (…) convém repetir que: aquele sucesso de 11 dias, com artistas de primeiríssimo time, sem cobrança de ingresso, rodeios em touros e cavalos, exposições e competições de rebanhos e, principalmente, 11 dias de “casa cheia”, ficou para a história, nunca mais irá se repetir (…) até mudar o nome poderia ser uma alternativa, porque a FAPI já não tem nada de “agropecuária” (…) a primeira mudança deve ser a diminuição dos dias do evento – de 11 para 4 dias (…) outra mudança que deve ser estudada também é a cobrança da entrada no parque, mesmo que seja um valor simbólico de 4 ou 5 reais por pessoa”.

“Desejo sorte para os próximos organizadores” – “A AIOR entregou ao prefeito Lucas, junto com a prestação de contas, a responsabilidade da organização da feira, agora a Prefeitura de Ourinhos irá gerir o evento à sua maneira (…) quero muito que volte a ser um sucesso, ouvi extraoficialmente algumas notícias de mudanças que já estão sendo imaginadas (…) um problema que todos nós podemos ver é que, infelizmente, a gestão Pocay e a oposição tem um relacionamento muito ruim, a FAPI deveria ser uma feira da família ourinhense, não de um ou outro grupo, e isso pode ser um empecilho”.

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